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Carreiras e decisões: Como avaliar o caminho percorrido (entre multinacionais até ao empreendedorismo)

Por: Marco Simões – TopCar Simões & Florêncio

O meu gosto pelo empreendedorismo foi inspirado pelo meu pai, que descontente com as greves pós 25 de abril, decidiu abrir a sua própria oficina, e pelo meu avô materno, que magicou inúmeros negócios na cabeça, embora nunca tenha tido sucesso relevante.

Após concluir a minha licenciatura em gestão, iniciei carreira em multinacionais, onde permaneci durante muitos anos, apesar de, paralelamente, ter começado também a acompanhar a oficina do meu pai, não com os carros, mas sim na gestão de compras, sistema informático e estratégia, áreas onde me sinto muito mais confortável do que nas avarias, bate chapas e pintura.

As carreiras nas multinacionais podem ser muito interessantes e desafiantes, aprendemos imenso, seja em gestão, relações humanas, recursos humanos, entre outros. Porém, pela minha experiência, a relação com as chefias e a falta de autonomia para tomar decisões condiciona-nos. Um dos maiores desafios que enfrentei, foi fazer a gestão de uma equipa em que, durante 4 anos, não me foi possível ajustar ordenados e reconhecer e premiar quem assim merecia. É uma situação que limita a nossa capacidade de liderança, e conduzir pessoas assim é bem difícil.

Em 2018, por necessidade (devido a doença do meu pai), iniciei funções na oficina. Até esta data, o meu papel tinha sido principalmente de escutar e aconselhar, dando apoio na gestão, estratégia, compras e recursos humanos. Entretanto, passei a ter uma função mais operacional e diária, onde contei com uma equipa muito experiente que me ajudou imenso nesta transição e aprendizagem.

Após estes anos, consigo agora colocar ambas as experiências numa balança (a de trabalhar por conta de outrem e por conta própria) e refletir sobre a que mais me realizou: onde encontrei mais liberdade e o que desejo para os próximos anos. Pessoalmente, o que mais aprecio em trabalhar por conta própria é a autonomia e a liberdade de não ter que justificar cada decisão ou fazer business cases para qualquer situação de investimento.

Talvez tenha faltado na minha carreira um ou dois passos mais adiantes, mas por gosto e por necessidade, optei por dar continuidade a um negócio familiar. Seis anos depois, continuo a liderar esta pequena empresa, com cerca de 20 colaboradores, em parceria com as minhas sócias.

Com toda esta experiência, o que posso dizer a quem está a começar: trabalhar em multinacionais, pequenas empresas ou por conta própria? Cada pessoa encontrará modelos e experiências para avaliar, e acima de tudo há que trabalhar com gosto, colaboração e sempre de forma positiva, pois uma atitude negativa só nos tira energia e reduz a vontade de chegar ao trabalho.

Estou muito contente a trabalhar por conta própria, apesar das dificuldades e dos desafios, mas satisfeito se conseguir seguir o negócio que me deixaram com sucesso.

O único fator que penso ser importante passar a futuros empreendedores é que não é fácil transformar o valor de um negócio em dinheiro; não vendemos ou trespassamos facilmente um negócio de elevado valor e penso que há que pensar na saída de um negócio quando iniciamos esta jornada.

Vemos muitos empresários a tornarem-se escravos do seu próprio negócio, incapazes de vendê-lo ou encerrá-lo… Espero não vir a ser um deles!